O Tribunal do Júri de Patos de Minas, no Alto Paranaíba, condenou na terça-feira (13) Renato Alves de Sousa, de 42 anos, a 75 anos de prisão pelo feminicídio da ex-companheira, Tatiane Rodrigues Teixeira, de 35 anos. O crime ocorreu em 2 de novembro de 2025, durante um churrasco de aniversário em uma chácara na zona rural da cidade. Além da pena em regime inicial fechado, o condenado deverá pagar R$ 100 mil de indenização aos dois filhos da vítima — R$ 50 mil para cada um —, valor confirmado pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG).
O crime
Segundo o delegado Luís Mauro Sampaio, Tatiane participava de uma festa de aniversário de uma amiga, com cerca de 20 pessoas presentes, a maioria mulheres. Renato, que não havia sido convidado, chegou acompanhando a ex-companheira, mas se chateou com algo e saiu repentinamente. Sem entender a saída dele, ela tentou ligar para o ex-companheiro, sem resposta, e combinou de ir embora com as amigas. Cerca de 30 minutos depois, ele retornou ao local.

Tatiane tentou se defender e correr, mas caiu. A filha dela, então com 16 anos, presenciou o ataque e, junto com outras testemunhas, tentou intervir arremessando cadeiras de plástico contra o agressor. O Samu foi acionado e tentou reanimar a vítima, mas a morte foi confirmada ainda no local, em decorrência dos ferimentos e da grande perda de sangue.
Fuga e prisão
Após o ataque, Renato saiu caminhando até uma picape Fiat Toro e fugiu. A Polícia Militar avistou o veículo em alta velocidade em Patos de Minas; ele desobedeceu à ordem de parada e foi perseguido por várias viaturas até ser abordado. Com comportamento alterado, confessou o crime e foi preso em flagrante. Segundo o portal JP Agora, ao chegar à delegacia, ele teria perguntado se a vítima havia morrido e dito: “Ela tem que morrer”. Um celular e a faca usada no crime foram apreendidos, e o veículo foi removido para um pátio credenciado.

O julgamento
No Tribunal do Júri, realizado no Fórum Olympio Borges, os jurados acolheram todas as qualificadoras denunciadas pelo Ministério Público, o que resultou na pena de 75 anos — quase um ano após o crime. Procurada, a Defensoria Pública, que faz a defesa do condenado, informou que “não comenta sobre casos criminais concretos, em especial os que tramitam sob sigilo para não comprometer o devido processo legal”.
Relacionamento marcado por violência
Testemunhas relataram que Renato e Tatiane mantinham uma relação de cerca de cinco anos — ainda que, segundo uma amiga da vítima, sem fixidez —, marcada por ciúmes, comportamento possessivo e agressões. Na semana do crime, ele teria pedido para reatarem e sido recusado. Segundo a Polícia Civil, Renato é usuário de drogas e possui antecedentes criminais por tentativa de homicídio e tráfico de drogas.
Quem era Tatiane
Conhecida como Taty por amigos e familiares, Tatiane trabalhava como manicure havia sete anos e era mãe de dois filhos, que ficaram órfãos.
Na semana do crime, Tatiane estava com o astral elevado por causa de uma viagem de férias marcada com as amigas. O velório e o sepultamento ocorreram em 3 de novembro.

