Operação contra lavagem de dinheiro com carvão ilegal atinge Três Marias e outras 9 cidades de MG

Ação da Polícia Civil mira grupo estruturado no Norte e Centro do estado e bloqueia mais de R$ 100 milhões

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Uma operação da Polícia Civil de Minas Gerais revelou um esquema estruturado de lavagem de dinheiro ligado à produção e comercialização ilegal de carvão vegetal, com atuação em dez cidades mineiras, incluindo Três Marias.

A Polícia Civil de Minas Gerais deflagrou, na terça-feira (17), a operação “Kodama”, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa suspeita de atuar na lavagem de dinheiro por meio do setor de carvão vegetal. Ao todo, a ação ocorreu em dez cidades do estado, com destaque para Três Marias, além do cumprimento de ordens judiciais também no Distrito Federal e em Sergipe.

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Ferreira Gás em Três Marias

Foram cumpridos 25 mandados de busca e apreensão contra 24 investigados. A Justiça determinou o bloqueio de bens e valores que podem ultrapassar R$ 100 milhões, além da restrição de veículos avaliados em mais de R$ 10 milhões e a suspensão das atividades de empresas envolvidas.

Conforme a PCMG, um grupo de investidores realizou aportes em empresas localizadas majoritariamente no Norte de Minas Gerais. Essas empresas seriam utilizadas para emissão de notas fiscais, obtenção de créditos florestais e guias de controle ambiental.

O que chamou a atenção da polícia é que a capacidade produtiva dessas empresas era incompatível com a estrutura apresentada, superando até mesmo a de empresas já consolidadas no setor.

Nas regiões Norte de Minas e Central, foram cumpridos mandados nas seguintes cidades: Várzea da Palma, Taiobeiras, Três Marias, Coração de Jesus, Francisco Sá, Águas Vermelhas, Indaiabira, Ubaí, Rio Pardo de Minas e Santo Antônio do Retiro.

Além de Minas Gerais, ordens judiciais foram executadas no Distrito Federal e em Sergipe, com foco em pessoas físicas e jurídicas. Em Taiobeiras, concentrou-se o maior número de mandados, nove ao todo, além dos principais alvos da investigação.

Segundo a Polícia Civil, foi identificado um esquema estruturado e permanente envolvendo não apenas siderúrgicas, mas também empresas de transporte e empreendimentos do setor florestal, que atuavam de forma conjunta na produção e comercialização de carvão vegetal de origem ilícita.

As investigações apontam ainda que documentos de controle ambiental falsos eram utilizados para acobertar a venda do carvão ilegal, oriundo de mata nativa ou de origem irregular, dificultando a fiscalização e ampliando os danos ambientais.

A Polícia Civil segue com as apurações para identificar todos os envolvidos e interromper a atuação do grupo criminoso.