A tarde desta quinta-feira (22) ficou marcada no campo. Uma forte tempestade de granizo atingiu a zona rural de João Pinheiro, Varjão de Minas e São Gonçalo do Abaeté, cobrindo pastos, estradas e áreas abertas de branco — um cenário que, segundo moradores e autoridades, mais parecia uma paisagem de neve.
Imagens registradas por moradores e que circulam nas redes sociais mostram a intensidade do fenômeno na região da divisa entre as três cidades. Em alguns trechos, o acúmulo de pedras de gelo “quase forrava o chão”, como relatou um funcionário da destilaria de João Pinheiro ao enviar vídeos ao JP Agora.
João Pinheiro: dois pontos atingidos
Em João Pinheiro, a chuva de granizo caiu por volta das 15h05 e atingiu pelo menos dois pontos do município, entre eles a região das Lages, mais próxima da cidade. Segundo relatos, o setor onde o funcionário da destilaria trabalhava ficou completamente coberto pelas pedras.
Varjão de Minas: 50 mm em menos de uma hora
Em Varjão de Minas, o temporal atingiu apenas a zona rural, sem registros na área urbana. De acordo com o coordenador municipal de Proteção e Defesa Civil, César Soares, fazendas do município receberam cerca de 50 milímetros de chuva entre 13h15 e 14h — em menos de uma hora. Foram registrados estragos em lavouras, plantações e veículos por moradores e equipes da Defesa Civil.
São Gonçalo do Abaeté: divisa encoberta de branco
Na área mais distante da cidade, perto da divisa com Varjão de Minas e São Gonçalo do Abaeté, vídeos que circulam nas redes sociais mostram pastos e áreas abertas completamente cobertos de gelo. A cena chamou tanto atenção que foi destacada por veículos da região, como a Rádio Clube 98.3, que classificou o episódio como “tempo severo no campo”.
Como o granizo se forma
O acúmulo de gelo que impressionou quem passou pela região é explicado pelo professor e geógrafo William Borges. Segundo ele, o fenômeno está associado às nuvens de tempestade do tipo Cumulonimbus, que apresentam forte desenvolvimento vertical e intensas correntes de ar ascendentes. Essas correntes transportam gotículas de água para regiões muito frias da atmosfera, onde congelam e formam as pedras.
Borges destacou, no entanto, que não se trata de neve, mas sim do acúmulo expressivo de granizo — um fenômeno comum nos temporais desta época do ano, quando dias muito quentes e úmidos favorecem a formação de nuvens carregadas.
“Quando há uma precipitação muito intensa de granizo, com grande concentração de pedras de gelo em um curto intervalo de tempo, o gelo pode se acumular sobre ruas, calçadas, telhados e áreas de vegetação, formando uma camada esbranquiçada semelhante à neve”, explicou o geógrafo.
Danos e alerta
Embora o espetáculo visual tenha chamado a atenção, o granizo em grande quantidade representa risco. Especialistas alertam para a possibilidade de danos em lavouras, veículos, telhados e estruturas. As Defesas Civis dos municípios atingidos seguem monitorando a situação, e o INMET já havia emitido alertas de tempestade de grau de severidade “Perigo” para a região nos dias anteriores ao temporal.
Até o momento, não há informações sobre feridos. A recomendação das autoridades é que moradores da zona rural fiquem atentos aos avisos meteorológicos e acionem a Defesa Civil (telefone 199) ou o Corpo de Bombeiros (telefone 193) em caso de emergência.

