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Possíveis impactos da UHE Formoso na região de Três Marias deixa população ribeirinha assustada

Além dos impactos ambientais, patrimônio histórico, turístico e cultural está ameaçado

A população ribeirinha dos municípios a serem atingidos pelos impactos da Usina Hidrelétrica do rio Formoso, em Pirapora, demonstra sentimentos de tristeza e indignação, pois a área inundada será de aproximadamente 324 km2. O alagamento pode afetar locais importantes de preservação ambiental, turística, histórica e cultural. Em Três Marias, por exemplo, no Alto São Francisco, lugares como Pontal do Abaeté, Capela de Manuelzão e Barra do Rio De-Janeiro poderão desaparecer completamente, ficando submersos após a construção da barragem. 

O pescador Milton Odair, mais conhecido como “Biguá”, também atua como guia de pesca na região de Três Marias e bairro Beira Rio, pertencente ao município de São Gonçalo do Abaeté. Segundo ele, há informações sobre chegada de materiais para construção da usina em Pirapora e Buritizeiro e a indignação da comunidade é geral. “O impacto ambiental, social e cultural é incalculável, não tenho como expressar minha indignação. Na parte cultural, o De-Janeiro vai deixar de existir, não estou vendo mobilização das autoridades políticas. Entramos com uma petição eletrônica, todos estão indignados, mas infelizmente a licença ambiental dessa obra foi assinada, é uma tristeza enorme”, lamenta.

Especulação x Informação

De acordo com o secretário de Turismo e Meio Ambiente de São Gonçalo do Abaeté, Ailton Joaquim de Oliveira, já existe uma demarcação em terras da região, feita pela empresa Quebec, responsável pelos estudos dos impactos da UHE Formoso. “Fora isso, temos um monte de interrogações, há muita especulação e nada de concreto ainda, mas o impacto ambiental será gigantesco. O rio Abaeté, por exemplo, é um dos principais berçários do São Francisco. Há diversos estudos comprovando a importância desse rio e isso poderá acabar”, explica. Segundo ele, não houve contato da empresa com nenhuma fonte oficial do município.

Outra preocupação do secretário é em relação aos moradores da localidade Pontal do Abaeté. As pessoas estão apreensivas, pois não sabem para onde serão removidas e como será a adaptação. “Estamos mobilizados, inclusive pedimos ao promotor de Justiça do Meio Ambiente de Três Marias para cobrar informações detalhadas sobre a construção desta usina, estamos atrás de uma resposta oficial para repassar às comunidades ribeirinhas”, informa o secretário, cujo posicionamento é contrário à implantação da UHE Formoso.

Em Três Marias, o secretário de Turismo, Cultura e Meio Ambiente, Roberto Carlos Rodrigues, também afirmou não ter acesso a nenhuma informação à UHE Formoso e ainda há muita especulação, mas já estão preparando uma audiência pública com participação de representantes da empresa. “Se isso acontecer, será uma perda cultural muito grande, mas o impacto ambiental é maior porque não tem como reconstituir aquilo que se perdeu, precisamos discutir esse projeto com a empresa para analisar as questões econômicas, ambientais e sociais”, avalia.

Roberto Carlos também questiona sobre a finalidade de construção de mais uma usina hidrelétrica na região. “Hoje com a tecnologia de ponta oferecida pelas empresas, acredito que a geração de energia dessa forma já está ultrapassada”, pondera o secretário.

No dia 30 de setembro (quarta-feira) foi realizado um seminário, em plataforma digital, sobre a UHE Formoso. O debate contou com a participação de especialistas sobre biodiversidade, lideranças comunitárias, representantes da empresa Quebec e do presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, Anivaldo de Miranda Pinto.

No seminário, o gerente de Desenvolvimento da Quebec Engenharia, Leôncio Vieira expôs algumas informações sobre a UHE Formoso. Entre os dados apresentados, a referida usina terá uma potência de 306 MW, queda de 28,9 metros e prazo de execução da obra em 36 meses, atingindo os municípios de Pirapora, Buritizeiro, Três Marias, São Gonçalo do Abaeté e Lassance.

Sobre as ações de mitigação, Leôncio Vieira explicou que os diagnósticos estão em fase embrionária de elaboração e serão propostas medidas para atenuar ou compensar os impactos após a finalização dos estudos e que a empresar irá realizar audiências públicas, momento destinado à manifestação da comunidade.

O presidente do CBHSF, Anivaldo Miranda ressaltou a falta de um debate prévio anterior ao Termo de Referência, antes da contratação desses diagnósticos. “Quando os estudos estão sendo encaminhados, os questionamentos perdem sustentabilidade, precisamos de um debate amplo sobre esse empreendimento”, afirmou.

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