A cidade de Três Marias foi um dos 11 municípios de Minas Gerais onde o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), em parceria com a Receita Estadual e as polícias Civil e Militar, deflagrou nesta terça-feira (29) a Operação Sistema Paralelo, que investiga um esquema milionário de sonegação fiscal, agiotagem e lavagem de dinheiro. Segundo as autoridades, o grupo criminoso operava principalmente no comércio de aparelhos celulares e concessão de empréstimos com juros abusivos, utilizando empresas de fachada e “laranjas” para ocultar a movimentação ilícita de capitais.
Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos simultaneamente nas cidades de Curvelo, Três Marias, Pirapora, João Pinheiro, Montes Claros, Sete Lagoas, Bocaiuva, Paraopeba, Papagaios, Belo Horizonte e Confins. Três mandados de prisão preventiva também foram expedidos contra os líderes do grupo.

Em Três Marias, as diligências ocorreram em imóveis residenciais e em uma loja do ramo de eletrônicos, apontada como parte da estrutura do esquema. Agentes apreenderam documentos, computadores, celulares, máquinas de cartão, além de bens de alto valor como veículos de luxo. Armas, munições e criptomoedas também foram localizadas e bloqueadas pela Justiça.
Segundo o MPMG, o prejuízo causado pela supressão de impostos – especialmente o ICMS – é estimado em R$ 14 milhões. As investigações indicam que as empresas envolvidas operavam sem emissão de nota fiscal e sem qualquer registro contábil, gerando sérias perdas à arrecadação estadual e aos municípios. Para garantir a reparação dos danos, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 36,4 milhões em bens dos investigados, incluindo imóveis, contas digitais e criptomoedas.
Além da sonegação fiscal, os envolvidos poderão responder por crimes como organização criminosa, falsidade ideológica, estelionato, usura e lavagem de dinheiro.
Em Três Marias, a operação foi acompanhada com surpresa pela população, especialmente por ter atingido estabelecimentos comerciais conhecidos. A expectativa agora é que os recursos desviados possam ser recuperados e revertidos para o bem público.
As investigações continuam em andamento e novos desdobramentos podem ocorrer nos próximos dias. O Ministério Público reforça que o combate à sonegação e aos crimes financeiros é essencial para garantir justiça fiscal e proteger a economia local.
