Três Marias repete vitória de Flávio Bolsonaro no 2º turno, mas vê Lula virar em Minas e vencer no país

Município seguiu o padrão do eleitorado local e deu 51,37% dos votos válidos ao candidato do PL; única exceção do país, Minas Gerais trocou de líder e o petista se reelegeu para o quarto mandato

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Três Marias confirmou no segundo turno o resultado que já havia desenhado em 4 de outubro e voltou a dar vitória a Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial. Nas 82 seções eleitorais do município, todas totalizadas, o candidato do PL recebeu 9.269 votos, o equivalente a 51,37% dos votos válidos. Lula (PT) ficou com 8.774 votos, ou 48,63%. Brancos somaram 245 (1,31%) e nulos, 388 (2,08%).

O desempenho mantém a tendência observada no primeiro turno, quando o município deu ao candidato do PL uma vantagem de 8,9 pontos percentuais sobre o petista — margem quase cinco vezes maior que a diferença registrada na apuração nacional. Naquela votação, Flávio teve 8.632 votos (50,44% dos válidos) contra 7.107 de Lula (41,52%), em um universo de 18.101 votos, dos quais 17.115 válidos (94,55%), 422 em branco e 564 nulos.

A comparação entre as duas rodadas mostra um movimento de mão dupla em Três Marias. Flávio cresceu em votos absolutos, passando de 8.632 para 9.269 — acréscimo de 637 votos —, e ampliou a vantagem percentual sobre Lula de 8,92 para 2,74 pontos. Lula, por sua vez, também avançou: somou 1.667 votos a mais, de 7.107 para 8.774. A redução da margem se explica pelo campo da chamada terceira via, que no primeiro turno havia reunido 1.353 votos no município (Escritor Augusto Cury, Ronaldo Caiado, Renan Santos e Zema) e que, no segundo turno, se redistribuiu entre os dois finalistas.

A abstenção ficou em 25,08%: dos 24.927 eleitores aptos, 6.251 não compareceram. O índice é superior ao verificado no primeiro turno, quando o município registrou 18.101 comparecimentos — diferença que também reflete a prorrogação da votação no estado.

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Em Minas Gerais, o cenário foi de virada e fez do estado a única unidade da federação onde a liderança mudou entre as duas rodadas. No primeiro turno, Flávio Bolsonaro teve 48,24% dos votos válidos no estado contra 43,33% de Lula. No segundo, com a apuração concluída, o petista passou à frente com 50,40% contra 49,60% — diferença de 0,80 ponto percentual. Nos outros 25 estados e no Distrito Federal, o candidato que terminou à frente na primeira rodada manteve a liderança. Com a mudança mineira, Lula passou a liderar em 13 estados, enquanto Flávio ficou à frente em 13 estados e no DF.

No plano nacional, Lula foi reeleito para o quarto mandato com 64.256.232 votos, ou 51,79% dos votos válidos, contra 59.826.041 votos de Flávio Bolsonaro (48,21%) — uma diferença de 4.430.191 votos, superior às margens de 2022 e de 2014. No primeiro turno, o candidato do PL havia liderado com 56,1 milhões de votos (47,04%), e o petista virou a disputa ao conquistar cerca de 6,6 milhões de votos a mais entre as duas rodadas. A abstenção nacional caiu de 21,08% para 19,2%.

Derrotado, Flávio Bolsonaro afirmou ser “impossível” reconhecer o resultado e anunciou que pedirá a anulação da eleição, enquanto o TSE contestou as alegações da campanha sobre a retirada de fiscais do PL.

O caso de Três Marias, portanto, resume um fenômeno que se repetiu em boa parte do interior mineiro: o município manteve fidelidade ao candidato do PL nas duas rodadas, mas ficou na contramão do resultado estadual e nacional, onde o eleitorado de Minas e do país migrou para Lula no segundo turno.